O alfabeto latino, também conhecido como alfabeto romano, é o sistema de escrita alfabética mais utilizado no mundo, e é o alfabeto utilizado para escrever a língua portuguesa e a maioria das línguas da Europa ocidental e central e das áreas colonizadas por europeus. Ao longo dos séculos XIX e XX, o alfabeto latino tornou-se também o alfabeto preferencialmente adotado por um número considerável de outras línguas, em especial pelas línguas indígenas de zonas colonizadas por europeus que não tinham sistemas de escrita próprios.
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Tal como utilizado na língua portuguesa, consiste nos seguintes caracteres:
| a | b | c | d | e | f | g | h | i | j | k | l | m |
| n | o | p | q | r | s | t | u | v | w | x | y | z |
| Ă |  | ß | Ç | Ñ | Ş | Ţ | Æ | Œ | Ø P I/ |
O alfabeto latino, ou romano, foi criado no século VIII a.C. (mais precisamente 753 a.C.), de acordo com a lenda. Baseou-se no alfabeto etrusco, que derivava do grego. Das vinte e seis letras etruscas originais, os romanos adotaram vinte e uma. O Alfabeto latino original era:
| A | B | C | D | E | F | I | H | I | K | L |
| M | N | O | P | Q | R | S | T | V | X |
Posteriormente o zeta grego (I) caiu em desuso e uma nova letra G foi posta em seu lugar. Depois da conquista da Grécia no primeiro século a.C. as letras Y e Z foram adotadas do alfabeto grego e colocadas no fim, passando a conter o alfabeto latino vinte e três letras. Apenas durante a Idade Média que a letra J (em distinção do I) e as letras U e W (em distinção do V) foram adicionadas.
O alfabeto usado pelos romanos consistia somente de letras maiúsculas (ou caixa alta). As letras minúsculas, ou de caixa baixa, surgiram na Idade Média da escrita cursiva, primeiro como uma escrita uncial, e depois como minúsculas. As antigas letras romanas foram mantidas em inscrições formais e para dar ênfase em documentos escritos. As línguas que usam o alfabeto latino geralmente usam maiúsculas para iniciar parágrafos, sentenças e nomes próprios. As regras de uso de maiúsculas mudaram com o tempo, e variam um pouco entre idiomas diferentes. O inglês, por exemplo, costumava pôr todos os substantivos iniciados em caixa alta, como o alemão ainda faz hoje.
O alfabeto latino se disseminou da Itália, através da língua latina, para as terras ao redor do Mar Mediterrâneo com a expansão do Império Romano. A metade oriental do Império Romano, incluindo Grécia, Ásia Menor, Ponto e Egito, continuaram a usar o grego como língua franca, mas o Latim foi falado amplamente na metade ocidental do Império, e como as línguas românicas, incluindo castelhano, francês, catalão, português e italiano, evoluíram do latim elas continuaram a usar (com adaptações) o alfabeto latino. O alfabeto latino se disseminou para os povos germânicos da Europa setentrional com a disseminação do Cristianismo, tomando o lugar das runas. Durante a Idade Média, o alfabeto latino também penetrou no uso dos povos eslavos ocidentais, inclusive os poloneses, checos, croatas, eslovenos, e eslovacos, assim como essas nações adotaram o Catolicismo Romano; os eslavos orientais geralmente adotaram ambos: o Cristianismo Ortodoxo e o alfabeto cirílico. As línguas bálticas (lituano e letão), assim como algumas línguas urálicas como o finlandês, estoniano, e húngaro, também adotaram o alfabeto latino.
Até 1492, o alfabeto latino estava limitado primariamente às nações católicas romanas e protestantes da Europa Ocidental e Central. Os eslavos cristãos ortodoxos da Europa Oriental e Meridional em sua maioria usavam o alfabeto cirílico, e o alfabeto grego ainda estava em uso pelos helenofalantes do Mediterrâneo Oriental. O alfabeto árabe era difundido no Islã, tanto entre os árabes quanto entre nações não-árabes como os turcos e iranianos. Quase todo o restante da Ásia usava uma variedade de alfabetos bramânicos ou a escrita chinesa.
Nos últimos 500 anos, o alfabeto latino se disseminou pelo mundo. Passando pelas Américas, Austrália, e partes da Ásia, África, e o Pacífico com a colonização européia, através do idiomas: castelhano, português, inglês, francês, e neerlandês. No século XVIII, o romeno adotou o alfabeto latino; apesar do romeno ser um uma língua românica, os romenos eram predominantemente cristãos ortodoxos, e até o século XIX a igreja usava o alfabeto cirílico. O Vietnã, sob ordens da França, adaptou o alfabeto latino para se usar com o vietnamita, que anteriormente usava caracteres chineses. O alfabeto latino também é utilizado por muitas línguas austronésias, inclusive o tagalog e outros idiomas filipinos, e as línguas oficiais da Malásia e Indonésia substituíram os alfabetos Árabe e Bramânica indiana. Em 1928, como parte das reformas de Kemal Ataturk, a Turquia adotou o alfabeto latino para o turco, substituindo o alfabeto árabe. Depois do colapso da União Soviética em 1991, muitas das recém-indepententes repúblicas turcófonas adotaram o alfabeto latino, abandonando o cirílico. Azerbaijão, Uzbequistão e Turcomenistão adotaram oficialmente o alfabeto latino para o azeri, o uzbeque e o turcomeno, respectivamente. Na década de 1970, a República Popular da China desenvolveu uma transliteração oficial do mandarim para o alfabeto latino, chamada Pinyin. Contudo o uso de caracteres chineses ainda é predominante.
Os seguintes idiomas adotam oficialmente o alfabeto latino:
No curso da História, o alfabeto latino foi usado por novos idiomas, e com isso algumas letras novas e diacríticos foram criados p. ex.:
Ver o artigo sobre os alfabetos derivados do latino para uma lista mais completa.
W é uma letra composta por dois V's ou U's. Foi adicionado no romano tardio para representar um som germânico. U e J originalmente não se distinguiam do V e I respectivamente.
No inglês antigo, eth ð e as letras rúnicas thorn þ, e wynn ƿ foram adicionadas. Eth e thorn foram substituídas por th, e o wynn pela nova letra w. No islandês, o thorn e o eth ainda são usados.
As letras adicionais adicionadas ao alemão são apresentações especiais ou anteriormente ligaduras. (ae → ä, ue → ü or ſs → ß). O francês adicionou o circunflexo para registrar a elisão de consonantes (normalmente o "s") que estavam presentes em formas anteriores e ainda estão presentes no italiano moderno em formas cognatas (francês antigo hostel → francês hôtel → italiano ostello ou latim tardio pasta → francês medieval paste → francês pâte e italiano: pasta). Há vários outros exemplos, como tête (em italiano: testa), fête (italiano: festa) ou château (italiano: castello).
Algumas línguas eslavas usam o alfabeto latino em lugar do cirílico. Entre elas, o polaco usa uma variedade de dígrafos com z para representar fonemas especiais, e um l cortado - ł - para um som similar ao w. O checo usa diacríticos como em Dvořák — o termo háček (caron) se origina do checo. O servo-croata usa carons em č, š, ž, um agudo em ć e uma barra em đ. As línguas dos eslavos ortodoxos orientais geralmente usam o cirílico, que é muito mais adaptável às suas línguas do que o alfabeto grego.
A língua africana hauçá usa três consoantes: ɓ, ɗ e ƙ.
Os alfabetos derivados do latino têm variações em suas regras de ordenação alfabética:
Para situações multilinguais onde não há uma língua ou alfabeto preferencial, o algoritmo de ordenação do Unicode pode ser usado.