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Megalópole :: Directory - All you ever wanted to know about Megalópole

Megalópole

All you want to know about Megalópole

Mapa da maior megalópole estadunidense, Boswash (em inglês). Essa megalópole vai de Boston até Washington, englobando as cidades de Baltimore, Filadélfia, Nova Iorque, entre outros.

Uma megalópole é uma extensa região urbanizada, pluri-polarizada por metrópoles conurbadas. Correspondem às mais importantes e maiores aglomerações urbanas da atualidade.

São encontradas em regiões de intenso desenvolvimento urbano, e nelas as áreas rurais estão praticamente (senão totalmente) ausentes.

O conjunto da megalópole apresenta uma forte integração econômica e intensos fluxos de pessoas e mercadorias. Meios de transporte rápidos — trens expressos, autopistas e pontes aéreas — sustentam esses fluxos.

A megalópole representa, ao mesmo tempo, concentração e dispersão. Concentração, pois a imensa zona urbanizada forma um mercado consumidor de grandes dimensões, atraindo atividades econômicas diversificadas e de alta capitalização; Dispersão, visto que o espaço da megalópole, irrigado por meios de transportes e comunicação, oferece alternativas de localização para áreas residenciais e industriais fora dos congestionamentos e problemáticos núcleos metropolitanos. A megalópole não é apenas uma aglomeração de metrópoles, mas também uma coleção de subúrbios.

Índice

[editar] Origem das megalópoles

[editar] A concepção de Geddes

O termo foi idealizado nos primeiros anos do século XX pelo escocês Patrick Geddes — considerado o pai do planejamento regional — ao perceber o fabuloso ajuntamento urbano que cobria parte do nordeste estadunidense (Bos-Wash).

Geddes afirmou que as megalópoles têm um caráter "apocalíptico" e degenerativo deste desenvolvimento. Essas afirmações geraram certa polêmica e iniciou-se uma discussão pioneira quanto às aglomerações urbanas; especulou-se que as metrópoles, as megalópoles (as cidades, enfim) estariam fadadas à destruição, tornando-se necrópoles (cidades mortas).

[editar] A concepção mundial

A visão determinística e apocalítica deste gigantescos complexos urbanos terminaria consolidando-se em parte do imaginário popular. No entanto, com o forte movimento de "metropolização" ocorrido, nas cidades européias e dos Estados Unidos, a partir da década de 1950, essa idéia enfraqueceu-se.

Contudo, nas últimas décadas do século passado até os dias atuais, as grandes metrópoles e também as megalópoles tornaram-se sinônimo de caos, estresse e violência, ainda que tenham adquirido contornos de modernidade e aspecto cosmopolita.

Atualmente, para uma interpretação sábia destes novos conceitos surgidos na área do urbanismo mundial, é necessária uma profunda análise de três fenômenos que se têm intensificado a partir da década de 1970: o Neoliberalismo, a Reestruturação Produtiva e a Globalização[1].

[editar] Crescimento das megalópoles

Mapa mundial localizando os pontos com população superior a cinco milhões de habitantes. Compare com a legenda ao lado.

O êxodo rural, junto a outros fenômenos sociais, tem expandido as cidades do mundo inteiro em um ritmo cada vez mais veloz. Para se ter uma idéia dessa velocidade, em 1985, havia, no mundo inteiro, apenas nove megacidades, contra vinte e cinco em 2005[2].

Essa tendência mundial nunca esteve tão forte, e também representa um grande problema social e ecológico, uma vez que se multiplicam as dimensões e a quantidade de favelas, e o crescimento das cidades comumente avança sobre o meio natural, destruindo-o.

Até as últimas décadas, o fenômeno das megalópoles e das megacidades estava restrito aos países desenvolvidos, especialmente na Europa e na América do Norte. Recentemente, cidades de países emergentes têm crescido de forma anormal, constituindo imensas e caóticas aglomerações urbanas, chegando às vezes, ao status de megalópole. Essas cidades localizam-se sobretudo na Ásia, embora existam exemplos na África, América Central e América do Sul.

[editar] Nos países desenvolvidos

Crescimento de BosWah no decorrer dos decênios.

Podemos citar a cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, que na década de 1950 era a maior aglomeração do planeta[3] com 12.463.000 de habitantes. Atualmente, a cidade apresenta um ritmo de crescimento lento, quase nulo, com cerca de 16,6 milhões de habitantes.

Nova Iorque era seguida, em 1950, também por cidades de países desenvolvidos, como Londres, Paris e Tóquio.

Tóquio, a capital nipônica, junto a Yokohama e Kawasaki, soma hoje 34,2 milhões de habitantes — número comparável à população do Canadá, na América do Norte —, contra os 7 milhões do início da década de 1950.

[editar] Nos países emergentes

Bombaim à noite.

A cidade indiana de Bombaim, por exemplo, protagonizou um fabuloso e desordenado crescimento que a fez atingir a marca de 20 milhões de habitantes (na aglomeração urbana), sendo superada apenas por Tóquio, Cidade do México e Nova Iorque e Seul.[4] Estima-se que até 2020 o local tornar-se-á lar de 28,5 milhões de pessoas, superando a capital japonesa e consagrando-se o maior núcleo populacional do globo terrestre.[5]

Outra grande cidade, digna de ser citada, é a Cidade do México, a capital mexicana, atualmente a segunda maior do mundo, com cerca de 22,8 milhões de habitantes na região metropolitana.

[editar] No Brasil

Vista por satélite, a mancha urbana de São Paulo, Brasil. Pode-se observar ainda parte das manchas de São José dos Campos e Jacareí (a leste), da Baixada Santista (ao sul) e de Campinas (ao norte).
Imagem de satélite obtida no ano 2000, mostrando a baía de Guanabara no sentido leste-oeste com a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e a ilha do Governador (ao centro). Os tons de cinza correspondem às zonas povoadas.
São Paulo, pólo-oeste da megalópole brasileira.
Vista aérea do Rio de Janeiro, pólo-leste da megalópole brasileira.

Os livros e sítios didáticos geraram uma grande ambiguação quanto à existência de uma megalópole brasileira. Existem os livros que afirmam a existência de tal, onde estariam no eixo localizado no sudeste, vale do Paraíba, as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, interligadas especialmente pela Via Dutra. No entanto, existem outras fontes de informação que adicionam mais uma metrópole à região; algumas citam a Baixada Santista[6], outras, Campinas.

Todo esse caos na informação ainda é expandido diante das obras que indicam a inexistência de tal megalópole, ou ainda, que acusam sua existência para então afirmar que de fato não há ligação entre as regiões metropolitanas, que a mesma ainda está em processo de formação, contra-dizendo-se, assim[7]. Na verdade, entre Rio de Janeiro e São Paulo não se verifica a existência de uma megalópole, mas de um complexo metropolitano.

Essa área é o lar de nada menos de 22% da população do Brasil, embora cubra apenas 0,5% de todo o território nacional. A região corresponde, ainda, a 60% de toda produção industrial brasileira.[8]

Naturalmente, esse complexo desempenha funções que o encaixam nesse grau de urbanização, tanto em aspectos culturais, quanto em aspectos financeiros; seus dois principais pólos estabelecem uma forte conexão entre as outras cidades brasileiras e com o restante do planeta.

Porém, pode-se afirmar que já há uma megalópole (ou macrometrópole, conforme a definição da EMPLASA) entre São Paulo e Campinas, caraterizada por uma mancha urbana contínua e forte integração econômica e social. Esta enorme mancha urbana ameaça espalhar-se até pólos como Sorocaba e Baixada Santista. Pelo outro lado, está a atingir São José dos Campos e, daí, seguir sua trajetória até unir definitivamente São Paulo e Rio de Janeiro numa mancha urbana única. [9]

Crescimento

Podemos afirmar que a região continuará a crescer por vários anos, embora seus pólos passem por um momento de baixo aumento populacional. Isso por que algumas cidades médias que a compõem (em especial, as situadas na Baixada Fluminense) passaram a ter um explosivo crescimento de aproximadamente 5% ao ano.[10]

Problemas urbanos e sociais

Sendo um complexo metropolitano do terceiro mundo, é comum que ocorram grandes problemas sociais e urbanos em larga escala, como a favelização e a miséria, a criminalidade, a prostituição, os congestionamentos, etc.

São Paulo, o maior dos pólos, ocupa uma desconfortável primeira posição no ranking das cidades brasileiras com mais favelas (no total, abriga 2018 delas). O Rio de Janeiro também tem gravíssimos problemas sob esse aspecto, abrigando a maior favela do país e uma das maiores do mundo: a Rocinha (recentemente transformada em bairro). A criminalidade também assola a população de ambas as cidades, que possuem altíssimos e alarmantes números de seqüestros, assassinatos e assaltos; os bandidos têm-se organizado e formado fortíssimas e temidas facções criminosas (como o Primeiro Comando da CapitalPCC — e o Comando VermelhoCV —, por exemplo), muitas vezes sustentadas com o capital gerado pelos tráficos de armas e de drogas. Atualmente, existem projetos de urbanização em andamento nas cidades.

Policial atuando em uma favela carioca, reflexo de uma região violenta.

Os casos de seqüestros cresceram bastante nas últimas décadas. Atualmente, as causas não se limitam a questões financeiras (os familiares são obrigados a pagar pela liberdade da vítima), mas também está havendo opressão para com a mídia. No início do século, o jornalista Tim Lopes foi cruelmente assassinado num ponto de chacinas após ser seqüestrado por traficantes, por gravar uma reportagem acerca do crime na capital fluminense. Em 2006, outro jornalista foi seqüestrado em São Paulo, com a exigência de que a emissora para qual trabalhava transmitisse uma mensagem da facção criminosa PCC. A emissora cumpriu a tarefa e o repórter foi libertado[11]. Casos como esses restrigem o jornalismo livre brasileiro. No ranking mundial da ONG "Repórteres Sem Fronteiras", por exemplo, o país ocupa a modesta 63ª posição, qualificado como um país de problemas consideráveis.

Os problemas de favelização tentam ser minimizados com a criação de complexos habitacionais. Na foto, região periférica de São Paulo.

O crescimento das cidades médias supracitado, deve-se, em parte, às dezenas de desvantagens que os pólos apresentam. Os quilométricos congestionamentos (popularmente conhecidos por engarrafamentos) nas avenidas destes pólos é uma das desvantagens, sendo um problema altamente estressante. Ao passo que os motoristas vêem-se imobilizados e presos num trânsito infernal, uma grande quantidade de poluição é lançada à atmosfera. A poluição gerada por veículos somada à poluição gerada pelas milhares de fábricas pode resultar em complicações respiratórias, que por sua vez lotam os hospitais da rede pública, onde freqüentemente a população sofre com as precárias condições de infra-estrutura e falta de medicamentos.

[editar] Níveis de urbanização

Abaixo estão listados termos comuns ao conceito de metropolização relacionados às megalópoles.

  • Conurbação ou aglomeração urbana: corresponde ao encontro ou junção entre duas ou mais cidades em virtude de seu crescimento horizontal. Em geral, esse processo dá origem à formação de regiões metropolitanas.
  • Cidade global: são as cidades que polarizam todo o país e fazem a ligação entre este e o resto do mundo. Possuem o melhor equipamento urbano do país, além de concentrarem as sedes das instituições que controlam as redes mundiais, como bolsas de valores, corporações bancárias e industriais, companhias de comércio exterior, empresas de serviços financeiros, agências públicas internacionais. As cidades mundiais estão mais associadas ao mercado mundial do que à economia nacional. As únicas cidades globais brasileiras são São Paulo e Rio de Janeiro.
  • Verticalização: processo de crescimento urbano que se manifesta através da proliferação de edifícios. A verticalização demonstra valorização do solo urbano, ou seja: quanto mais verticalizado, mais valorizado.

[editar] Principais megalópoles

Tóquio vista por satélite. A cidade é a principal de Tokkaido.

Abaixo, encontram-se listadas as maiores megalópoles do globo.

Referências

  1. BAIGENT, Elizabeth. Patrick Geddes, Lewis Mumford, and Jean Gottmann: divisions over 'megalopolis': Progress in Human Geography. 1.ed. São Paulo:  687-700 p. v. 28. ISBN 0309-1325 (em inglês)
  2. City Population | Estatísticas populacionais (em alemão)
  3. Ranking das 10 maiores cidades de 1950 (em inglês)
  4. World Gazetteer – Welt: Ballungsräume. Página visitada em 30 de maio de 2008.
  5. BBC News | Faces da explosão populacional de Bombaim (em inglês)
  6. SENE, Estáquio de; MOREIRA, João Carlos. Coleção Trilhas da Geografia: Espaço geográfico brasileiro e cidadania: 7ª série.. São Paulo: Scipione, 2000. 39 p. ISBN 8526245600 (em português)
  7. SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2003. 98 p. ISBN 34523432
  8. A Cidade e os Cidadãos
  9. Uma Macrometrópole de R$ 475 Bilhões
  10. Vários autores. Almanaque Abril: A enciclopédia da atualidade. 2004, ano 30.ed. São Paulo: Abril, 2004. 118 p. ean 7893614018201 (em português)
  11. Globo atende a exigências e exibe vídeo de sequestradores de repórter — Folha Online (em português)
  12. IPARDES, IBGE, IPEA, PNUD e Unicamp - A Realidade das Áreas Metropolitanas e seus desafios na Federação Brasileira Março de 2004
  13. Desafios das Megacidades. Siemens.com (setembro de 2007). Página visitada em 17 de junho de 2008.

[editar] Ver também

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